Entre_Línguas

Compartir


Vanessa Vila Verde, Eduardo Maragoto e Joâo Aveledo, directores do documental


"Nós nom pensamos que o galego e o português sejam línguas diferentes"

"No actual mundo das comunicaçons, é absurdo que haja instituiçons

empenhadas em fechar as fronteiras do galego a quatro províncias"


Os tres directores, Aveledo, Vila Verde e Maragoto, nun receso en Olivença (Portugal), debaixo dunha boa sobreira

    O subtítulo do documental "Entre línguas" é "O galego de que nada sabíamos". Ao longo da fronteira con Portugal (a coñecida raia no Miño, pero tamén moito máis abaixo, dende Zamora ata Badajoz), hai catro territorios máis que, por diferentes fitos históricos, son agora españois pero falan uns dialectos que a calquera lles poderían sonar a galego. Vanessa Vila Verde, Eduardo Maragoto e Joâo Aveledo xuntaron esforzos e partillaron unha viaxe por estes territorios para profundar no seu coñecemento. Unha investigación que agora reflicten no documental "Entre Línguas". Cóntannos, coa grafía na que traballan, como foi aquela aventura que lles ocupou espazos de lecer e traballo no ano 2009. As imaxes son da realización de "Entre línguas".


   Pregunta.- Tres directores: un para cada lingua? Ou tres para un dialecto?

   Resposta.- Somos três amigos muito interessados desde há tempo no debate da língua. Desde que se começou a falar do 'galego de Cáceres' chamou-nos a atençom a teoria que circulava na Galiza de que esse fenómeno era derivado de umha antiga repovoaçom de galegos que tinham ido parar à serra de Gata. Chamava-nos a atençom que, sendo um dialecto fronteiriço, nom tivesse nada que ver com as falas do outro lado da fronteira. De maneira que, produto de umha curiosidade filológica, figemos as primeiras viagens a essa terra chamada Xalma. Confirmamos que tinha muita relaçom com a língua falada no lado português e entom decidimos comparar a fala do Xalma com outras falas de territórios com origem portuguesa e que hoje em dia tenhem soberania espanhola. E decidimos gravar esses dialectos, que já se encontram no limite da desapariçom em muitos casos. 


   .- Precisades na capa: "o galego do que nada sabíamos". Pero é galego esa lingua de fronteira que tratades? Dádenos razóns para non lle chamar portuñol, portulego, ou o máis pexorativo: castrapo...

   .- Nós nom pensamos que o galego e o português sejam línguas diferentes, assim que nom nos preocupam muito as discrepáncias terminológicas. Porém, o que constatamos nas nossas viagens é que, sempre que o português é falado em Espanha, normalmente porque um antigo território desse país fica do lado espanhol, vai evoluindo de tal maneira que se acaba tornando mui semelhante ao galego, indistinguível em muitos casos. Isso foi o que provocou que na Galiza se pensasse que em Cáceres se falava galego, isto é, que a Cáceres foram parar galegos. Se umha pessoa galega nom tem conhecimentos filológicos terá muitas dificuldades em situar fora da Comunidade Autónoma Galega as pessoas que gravamos em todos estes territórios fronteiriços. Por isso dizemos que som os outros galegos de que nada sabíamos.


   .- Como vos documentastes para ir a eses territorios (Calabor, Almedilha, Xalma, Alcántara e Olivença) e non a outros?

   .- Sabíamos por artigos e livros de antigos filólogos espanhóis e portugueses que em todos estes sítios se tinha falado português, mas nom sabíamos se ainda o continuavam a falar na actualidade. De facto, num deles (Bouça, em Salamanca) já morreram os últimos falantes e nom pudemos gravar. Nas últimas décadas, por razons políticas, em Portugal só interessava um dos territórios (Olivença) e também por razons políticas na Galiza só interessava o caso do Xalma. Nós simplesmente fomos ver que acontecia nos outros sítios, absolutamente esquecidos.

   .- Colectivo Glu-Glu: explicádenos un pouquiño quen sodes e que obxectivos tedes.

   .- Somos um colectivo aberto que pretende fazer trabalhos audiovisuais com a perspectiva do galego como língua útil e universal. Daí Glu-Glu (Galego Língua Útil-Galego Língua Universal). Por isso nos debruçamos sobre temas que salientam que a nossa língua nom está limitada às fronteiras da Galiza.


   .- Neste ano de cambio no goberno da Xunta de Galicia, o conflito lingüístico foi e segue a ser unha noticia permanente nos medios. Como vos posicionades?

   .- Nom nos posicionamos em torno de conflitos concretos e, em certa medida, efémeros. Nós trabalhamos para que a mentalidade das pessoas em relaçom ao galego mude. Pensamos que, no actual mundo das comunicaçons, é absurdo que haja instituiçons empenhadas em fechar as fronteiras do galego a quatro províncias. Num mundo dominado por línguas faladas em muitos países, com diferentes sotaques e vocabulário, é absurdo querer forçar a condiçom regional do galego. Temos que aproveitar o que nos une ao Brasil ou a Angola.


   .- No voso documental, unha das teses que confirmades é que, onde se tocan portugués, galego e castellano, todos se van, tarde ou cedo, para o castellano. Que explicación lle dades?

   .- Nom é exactamente assim. Qualquer língua subordinada a umha língua estatal evolui de maneira a convergir com esta. Se um dialecto castelhano ficasse dentro do território português, acabaria também convergindo com o português. O que acontece é que a razom para estes cinco dialectos, todos tam afastados geograficamente, se parecerem tanto entre eles e ao mesmo tempo com o nosso galego, é que tenhem o castelhano sobreposto. Todos evoluem na mesma direcçom, possuem os mesmos castelhanismos, etc. Assim, pouco a pouco, vam confluindo, podendo englobar-se na denominaçom genérica de galego.


   .- Lemos por aí que este ano, o 2010, vai haber unha colleita moi boa de documentais galegos, entre eles o voso. Está a renacer o formato documental coa democratización das novas tecnoloxías? Ou é debido a outros factores, como a escasa credibilidade que temos os medios de comunicación, en especial a televisión?

   .- Algo disto último pode haver, mas é claro que a proliferaçom de documentários tem que ver com a democratizaçom do género que impulsionam as novas tecnlogias. De facto, sem isto, nós nom teríamos oportunidade de fazer este documentário. Há só uns anos nom teríamos a infraestrutura necessária para o levarmos avante.

   .- Por onde vai rolar o voso documental? (festivais, centros de ensino, despachos de San Caetano???) Ides distribuír en Galicia e Portugal... que pasa con Brasil? xa  Moçambique pode ser máis arriscado...

   .- Nom lhe pomos limites, mas é evidente que o documentário é percebido plenamente só na Galiza e Portugal, para além das zonas em que foi gravado, claro. Aqui temos tido já numerosas apresentaçons num só mês: centros sociais, centros de ensino e nas próximas semanas apresentaremo-lo em entidades mais viradas para o audiovisual como o CGAI. Também o estamos a enviar a diferentes festivais galego-portugueses. Vamos ver se temos sorte. 


   .- Que foi o máis duro de conseguir para levalo a bo termo? Financiación? Bos entrevistados? Un bo gps para atopar os pobos?

   .- Acho que nada foi realmente duro, porque o mais duro foi também o mais estimulante. As horas que passamos metidos num carro dérom para variar o roteiro do documentário milhentas vezes. Por tratar-se também de um documento (nom só um documentário) todas e cada umha das entrevistas que figemos, mais de 50 horas de gravaçons, nos pareciam excepcionais. O dinheiro das viagens saiu do nosso peto, mas nom nos importou: foi a melhor proposta de lazer que tivemos no ano 2009. 



Máis información nestas ligazóns:

http://actodeprimavera.blogaliza.org/2009/12/31/dez-filmes-para-o-2010/


http://linguaourense.org/?q=node/92


http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1906:o-galego-ou-a-caminhada-do-portugues-para-o-castelhano&catid=8:cronicas&Itemid=69

(Nesta última pequeno trailer... escoiten como a señora di "oitros", igual que os de Ribeira)

Chuza esta nova
Compartir

Chuza esta nova
Publicado: martes 09-mar-10
Imprima esta página Menea esta nova Chuza esta nova

Páxina anterior: Cinema
Páxina seguinte: Arte